Jorge Jesus E Os técnicos de Futebol No Brasil

Diversos

Jorge Jesus tem uma grande relação com o Flamengo, onde ele foi campeão de quase tudo e levou a inflamada torcida rubro-negra ao delírio na decisão da Libertadores de 2019. Para quem não lembra, o River Plate era o grande campeão da Libertadores até os 46 minutos do segundo tempo. Aos 47 minutos o Flamengo empatou e, aos 48, virou o jogo e foi o campeão.

A saída do técnico, carinhosamente chamado de JJ ou Mister pela torcida, deixou o flamenguista de coração partido. Ele foi para o Benfica de Portugal e ali não fez muita coisa além do que já se sabia: JJ é um técnico fantástico no Brasil, mas bem mediano para os padrões europeus, tanto que a cada jogo do Benfica a torcida pedia a cabeça do Mister. Nesse meio tempo o Flamengo foi treinado por Rogério Ceni, que saiu correndo de lá, expulso pela insatisfação da torcida. Mas ninguém deixou de aventar se a saída de Rogério Ceni não teria sido um tanto precoce.

Já em dezembro de 2021 e com novo técnico, o Flamengo foi derrotado por 2 a 1 na final da libertadores para o Palmeiras. Com esse resultado, Renato Gaúcho, que substituiu Ceni e já estava balançando, foi demitido e a torcida voltou a pedir o retorno de JJ.   Com nova derrota do Benfica, desta vez num clássico em casa no último dia 03 de dezembro, a situação do técnico ficou ainda pior e deu alguma esperança ao torcedor flamenguista.

É ainda uma esperança ínfima, já que no jogo seguinte contra o Dínamo de Kiev, o Benfica ganhou por 2 a 0 e avançou na Champions.   Contratá-lo a esta altura significaria uma despesa enorme, já que o euro dobrou de valor desde a última passagem de JJ pelo Flamengo.

O desejo pelo técnico vencedor no Brasil é mais uma mostra da verdadeira situação brasileira quanto à qualidade de seus técnicos.   No Brasil de hoje em dia, técnico é escorraçado por um clube e retorna a esse mesmo clube, anos depois, como um herói. É como uma dança de cadeiras em que aquela meia dúzia de técnicos brasileiros se alternam no comando dos clubes.

Quando Dunga foi técnico da seleção brasileira pela primeira vez, ele deixou de convocar Neymar e Ganso para a Copa da África do Sul, em 2010, quando os dois eram gigantes no ataque do Santos. Justificou que eles ainda não estavam prontos e que precisavam jogar na Europa para “aprender”. Foi xingado de todos os nomes e responsabilizado pelo vexame de 2010. Mas… ele não tinha razão ? Neymar realmente precisava aprender o jogo duro dos europeus, jogadores e técnicos, e como fazer tudo em equipe. No Brasil, com técnicos brasileiros, ele só precisa fazer o básico não é mais obrigado a isso bem como os demais “estrangeiros” que o acompanham nas convocações e só precisam fazer o básico.   Tite pode ser um técnico nota 9/10 no Brasil ou América do Sul, mas é nota 2 quando comparado com o resto do mundo.   Dunga só não disse que também os técnicos deveriam aprender com a Europa…

A seleção brasileira é uma instituição e assim deveria ser tratada. O Brasil é detentor de cinco títulos mundiais e o maior fornecedor de (bons) jogadores para o mundo. Não dá para ter um técnico nota 2 e perder para a Bélgica, como em 2018. Aliás, era para ter perdido a partida anterior contra o México e ter sido eliminado da competição.   Antes de tudo isso, o próprio Dunga voltou para uma segunda temporada na seleção, o que comprova a “dança das cadeiras“.

Antes disso, em 2014 e em casa, a seleção do Brasil levou dez gols em dois jogos absurdamente vexatórios onde, lembremos, dois técnicos campeões de outrora treinaram a seleção e vimos um time literalmente chorar em campo. Uma seleção como a brasileira jamais deveria se portar dessa maneira. Perder faz parte da história de qualquer time ou seleção.   Anos depois do vexame brasileiro, os alemães jogando em casa, levaram seis a zero da Espanha e ninguém fala nisso.

Os técnicos brasileiros se consideram os melhores do mundo e não pensam em se adequar às exigências do futebol mundial. Eles não ligam para isso ou estão apenas acomodados já que o salário é ótimo. Esse pensamento é coisa antiga. Se temos os melhores jogadores, então está tudo certo.   Só que as últimas dificuldades (e derrotas) mostram que não é bem assim. Já é uma questão cultural num país que nunca se prepara para o dia seguinte.

Um técnico brasileiro que ainda tentou fazer alguma coisa foi o Émerson Leão. Bastante criticado por ser uma pessoa de difícil convivência, para não dizer irascível, ele ainda falou mal da bola a ser usada na Copa da África do Sul: a jabulani. Ele dizia que havia alguma coisa errada com ela, que não era precisa, escorregava, etc… e os comentaristas esportivos foram ouvir a opinião de Murici, então técnico do São Paulo, que ironizou: “É… ela tem alguma coisa mesmo… é redonda…”. E todos morreram de rir. Pouco tempo depois alguns dos grandes jogadores europeus deram a mesma opinião que Leão sobre a jabulani. Ninguém riu e nem foram se desculpar com Leão. Depois da Copa, até a FIFA aposentou a bola de tão ruim que ela era.   Parece haver uma cumplicidade entre os técnicos, comentaristas esportivos e a CBF. Isso se chama corporativismo. Não dá pra levar essa turma a sério.

A camisa verde-amarela tem um peso considerável no mundo: ela já parou guerras, conflitos e outros por conta de um jogo de futebol. Veja aqui.

E, durante a primeira Guerra Mundial, houve uma histórica partida de futebol que marcou a trégua de Natal, em 1914. O jogo na cidade de Saint-Yvon, na Bélgica, próxima à fronteira francesa, alemães e britânicos suspenderam as hostilidades, após meses de sangrentos combates. As tropas deixaram as trincheiras para disputar uma partida de futebol que teria terminado em 3 a 2 para os alemães, segundo as anotações do soldado Kurt Zehmisch, do 134º Regimento saxão. Esse caso virou até um filme chamado “Feliz Natal“, lançado em 2006, com direção de Christian Carion.

Anos atrás, na década de 1970, havia um terreno grande quase na divisa das cidades de São Paulo com São Caetano do Sul, que ficava ao lado da favela de Heliópolis. Hoje existe um conjunto de prédios ali, mas era onde havia um campo de futebol de várzea, onde times que jogavam uniformizados, com juiz, bandeirinhas e tal. Aquilo ficava cheio de gente em pé assistindo o jogo e, pela qualidade dos carros estacionados, o público era de gente que realmente adorava o esporte. E isso acontece em qualquer lugar onde é possível montar um gol com tijolos, chinelos ou seja o que for.

Veja só a força do futebol. O Brasil deveria ser o mandante e não o coadjuvante.

Fontes: Redbull, Wikipedia e outras publicações.

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