O Vinho no Brasil

Diversos

O vinho acompanha o homem desde seus primórdios e o conhece há cerca de 7.000 anos.
Na Grécia, eles costumavam misturar de tudo nos seus vinhos (até água do mar, mel…) para ajudar a conservá-lo ou mesmo para disfarçar o sabor. Não por acaso, a região do Mediterrâneo foi o grande centro de difusão do vinho. Ele até foi usado pelos egípcios nas cerimônias fúnebres cerca de 3.000 anos antes de Cristo.

Mesmo a Igreja Católica, que adotou a produção dele nos monastérios, o utiliza para simbolizar o sangue de Cristo e os vinhedos da Bourgogne francesa praticamente nasceram para produzir vinhos para a celebração de missas. Nessa toada, vários padres ou monges foram os responsáveis por uma série de aperfeiçoamentos que elevaram ou mudaram bastante a qualidade dos vinhos como Don Pérignon, São Martinho de Tours, os beneditinos e outros.
Só que foi o cientista francês Louis Pasteur, no século XIX, que explicou o milagre do suco de uva se transformar em vinho: a ação das leveduras sobre o açúcar da uva transformava-a em álcool e gás carbônico e o suco de uva vira vinho.
Mas não houve milagre para resistir à invasão de um inseto norte-americano chamado filoxera, que devastou os vinhedos europeus no final do século XIX.  Isso durou por mais de quarenta anos e mesmo hoje não há uma forma eficaz de eliminar esse pulgão que ataca as raízes. Uma forma de evitá-lo foi replantado todo o vinhedo europeu, enxertando-os com a variedade americana de vitis vinifera.   Isso salvou o vinhedo e preservou o vinho.

No Brasil, as primeiras parreiras foram introduzidas em São Vicente, no século 16, por Brás Cubas e foram os imigrantes italianos que as levaram para a serra Gaúcha, no final do século 19, inaugurando a que seria a principal região vinícola do país.

Acontece que o brasileiro sempre gostou mais de cerveja e cachaça, mas o vinho de uma certa garrafinha azul foi trazendo um gosto doce que o brasileiro rapidamente assimilou, tornando-o também um consumidor de vinho.

Era o Liebfraumilch, importado e comercializado pelo então Empório Santa Maria e que tinha uma bela adega de títulos do velho mundo, entre eles, a Domaine Romanée-Conti.   A família Piva de Albuquerque era referência na gastronomia paulista com o Empório (vendido em 2007 para o Grupo St. Marché, que continua lá ainda bem) e moda (com a Daslu, da Eliana Piva de Albuquerque Tranchesi).
O nome Liebfraumilch vem de uma denominação alemã onde a igreja Liebfrauenkirche  ou “Igreja de Nossa Senhora” está localizada. A tradução tupiniquim diz alguma coisa como “Leite da Mulher Amada” mas, na verdade, Liebfrau significa “Nossa Senhora“. Desprezado por alguns, ele fez o Brasil viver um boom nas vendas de vinhos nos anos 1980 e se tornou um ícone da época. Esse vinho branco alemão dominou as mesas brasileiras quando a questão era o que beber durante o jantar.


Isso fez o brasileiro apreciar os vinhos e, como é natural, ele passou a experimentar outros mais sofisticados. E depois disso ele descobriu os vinhos tintos onde, normalmente, se encontram os melhores produtos.
Hoje não há churrascaria de bairro que não se orgulhe de ostentar uma bela carta de vinhos. O brasileiro tem acesso a uma enorme variedade de rótulos e gosta de apreciar ainda mais as novidades que tem a seu alcance.
E tudo isso começou graças a um vinho de sabor altamente duvidoso, de garrafa azul, do qual pouco ouvimos falar hoje em dia.
Mas não se iluda: o Brasil não produz rótulos de qualidade especialmente porque não tem bons locais para cultivo, nem clima, nem terroir. Os melhores locais ainda estão no sul do país e estão longe até dos piores terroirs da Argentina, Uruguai ou Chile.  Mesmo assim, os espumantes produzidos aqui tem  boa qualidade.

Certa vez pedi um vinho brasileiro feito com uvas tannat, que são mais comuns no Uruguai. Os vinhos uruguaios produzidos com essa uva são fortes, estruturados e com muito tanino. Esse que eu pedi parecia um suco aguado. E não era barato!

O serviço do vinho é um ritual que merece ser apreciado desde a apresentação da garrafa e retirada da rolha até o primeiro gole, com toda a formalidade que ele exige, não importando o preço.

Só para citar uma ocasião interessante, um dos melhores restaurantes franceses de São Paulo, o La Paillote, trazia os vinhos numa bandeja. Eram aqueles disponíveis. E não peça nenhum outro que não esteja naquela bandeja porque simplesmente não tem! O restaurante fechou e deixou saudade.
Em outra ocasião, fui apresentado a um vinho croata, em Zagreb. O vinho deixou muito a desejar, mas o serviço feito pelo sommelier foi fantástico. Não. O vinho não melhorou.

Há muita coisa sobre vinhos no mercado. Desde histórias reais a romances açucarados.

Livros:
– “A Historia Do Vinho” de Hugh Johnson – Uma aula de história da humanidade tendo o vinho como protagonista desde o início até hoje.
– “Vinho e Guerra” de Don e Petie Kladstrup – História real de como os franceses protegeram seus vinhos dos nazistas.  E até hoje ainda encontram os esconderijos!

Filmes:
– “O Julgamento de Paris” – Um inglês descobre grandes vinhos na Califórnia e compara-os aos vinhos franceses. História real.
– “Sideways – Entre umas e outras” – Dois amantes de vinhos rodam pelos Estados Unidos como despedida de solteiro de um deles.

E muito mais em filmes e livros. Apenas selecionei o que eu considero melhor.

Obs: Nunca cheire a rolha. O sommelier lhe entrega para que você a veja e verifique se ela está inteira, encharcada, se o vinho vazou ou qualquer outra coisa, menos para cheirar. Rolha em cheiro de rolha.

 

 

Fontes: eu mesmo e alguns artigos da Internet

Imagem de capa: Domaine de La Romanée-Conti, arquivo pessoal

Outras imagens: arquivo pessoal / Internet

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