Josef Mengele – A História

Política

Josef Mengele, um médico que ficou conhecido como “Anjo da Morte” ao fazer experiências com judeus presos nos campos de concentração Nazistas. É uma história surpreendente.

O ano é 1985, em São Paulo. Vieram especialistas de Israel e dos Estados Unidos, para identificar uma ossada, que por fim, confirmou-se como sendo a de Mengele.

Tudo começou no front do Leste, durante a Segunda Guerra Mundial, o exército russo avançava sobre a Polônia e ameaçava chegar a Auschwitz, local do maior campo de concentração alemão, onde cerca de 1,1 milhão de pessoas foram assassinadas.   Josef Mengele era o médico de Auschwitz.

A fama mais notória de Josef Mengele se deve justamente a suas experiências com crianças, principalmente gêmeos. Enquanto os colegas médicos achavam a escolha de condenados à câmara de gás a parte mais tensa do seu trabalho, Mengele cumpria-a com prazer. Ele era membro da equipe médica responsável ​​pela supervisão da administração de Zyklon B, o pesticida à base de cianeto de potássio produzido pela Indústria Química Faber, que foi usado para assassinatos em massa nas câmaras de gás.

Cerca de duzentas de suas “cobaias humanas”, entretanto, sobreviveram, graças ao rápido avanço do Exército Soviético no território polonês. Elas contaram que o “Anjo da Morte” sorria para suas futuras vítimas e cantarolava músicas durante seus experimentos.

Nascido na cidade de Günsburg, em 16 de março de 1911, de uma família rica e tradicional, formou-se médico pela Universidade de Frankfurt em 1938. Em 1943, foi promovido capitão da SS e enviado a Auschwitz, onde permaneceu até a evacuação do campo, em 18 de janeiro de 1945. Em Junho de 1945, rendeu-se aos americanos, pois sabia que os russos exterminavam todos prisioneiros.

Detalhe: rendeu-se com seu próprio nome, Josef Mengele. Só que os americanos não procuravam por nomes e sim por tatuagens e Mengele não tinha a tatuagem usual do grupo do sangue da SS. Assim não foi identificado como estando na lista criminal principal da guerra, ficando em detenção por pouco mais de um mês nas mãos de americanos.

Existe a teoria de que foi libertado ao fornecer os documentos médicos de todos os resultados de suas experiências aos Americanos, mas isto não foi comprovado.

Em Julho de 1945, durante a libertação de diversos soldados alemães com permissão para retornar e reconstruir a Alemanha, ele conseguiu identificação como Fritz Hollmann, um soldado que existiu, mas foi morto, e não havia sido dado baixa, mas sim como desaparecido. Mengele sabia disso.

Mengele foi libertado para trabalhar como fazendeiro, plantando e colhendo batatas em Rosenheim, o que fez até 1949, quando as organizações secretas nazistas tinham se reorganizado. Ele deve ter vivido estes quatro anos sob extrema pressão, pois se fosse identificado, seria fuzilado. Entretanto, era inteligente e se comportava como um simples fazendeiro, evitando qualquer requinte de luxo, ou até linguagem mais culta.

Num dado momento, ele conseguiu auxílio com as organizações neonazistas e foi para a Itália, conseguindo fazer-se de refugiado sem documentos, obtendo assim, um passaporte da cruz vermelha internacional no nome de Helmut Gregor, 38 anos, católico, mecânico, nascido na cidade vinícola de Tramin, no Tirol do Sul.

Com isso, Mengele preenchia as condições mais importantes para uma fuga: como tirolês do sul, ele era considerado alemão apátrida, tendo direito, portanto, a um passaporte do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). Com as mãos no documento, ele decidiu ir para a Argentina, onde poderia se esconder melhor, assim como diversos outros nazistas. Mas sua esposa, Irene Schönbein, recusou-se a acompanha-lo. Eles se casaram em 1939 e se divorciaram em 1954.

Em 20 de junho de 1949, Mengele chegou a Buenos Aires no navio North King com um passaporte em nome de Helmut Gregor, como Perón o conheceu mais tarde, trazendo na bagagem amostras médicas que chamaram a atenção na alfandega, e que ele declarou como “notas biológicas”, sem maiores explicações.

A Colonia Alemã e italiana era grande na Argentina, assim ele encontrou um simpatizante, que mesmo sabendo quem ele era, deu trabalho para ele , como vendedor de equipamentos agrícolas.

O nome de Mengele foi mencionado várias vezes durante os Julgamentos em Nuremberg, mas sua esposa afirmava categoricamente que ele estava morto e os aliados acreditaram. Só que Mengele continuava escondido na Argentina.

Em 1953 adquiriu uma residência, e iniciou a prática de medicina ilegal na Argentina, tendo iniciado uma clínica clandestina de abortos.

Em 1954, sua esposa, que não o acompanhou para a Argentina, pediu a separação sob a alegação que ele encontrava-se “desaparecido”.

Em 1956, Mengele havia perdido o medo. Foi à Embaixada Alemã Ocidental, identificou-se e ainda pediu uma cópia de sua certidão de nascimento, além de um passaporte alemão. Com seu nome real foi viajar para a Europa, encontrou sua cunhada viúva, Martha e o filho dela, visitou sua cidade e retornou á Argentina.

Em seu retorno a Argentina em setembro, Mengele começou a viver sob seu nome real. Martha e seu filho Karl Heinz o seguiram cerca de um mês depois e os três moraram juntos. O casal se casou durante as férias no Uruguai no ano de 1958. Logo após, Mengele foi interrogado e libertado sob suspeita de praticar medicina sem licença após uma adolescente morrer após um aborto.

Em uma busca dos registros públicos, caçadores de nazistas, encontraram os papéis do divórcio de Mengele que continham um endereço em Buenos Aires. Uma das pessoas que ficou mais conhecida por “caçar” tais personagens foi Simon Wiesenthal, que dedicou mais de cinqüenta anos de sua vida em busca de justiça aos milhões de judeus, homossexuais, dissidentes políticos e ciganos mortos em campos de concentração durante a guerra.

Wiesenthal, judeu, nasceu na cidadezinha de Buczacz, vizinha a Leopoli e pertencia à Polônia, parte do Império Austro-Húngaro na época. A região foi invadida pelas tropas alemãs em 1939 e depois entregue ao governo da União Soviética, com quem a Alemanha tinha um acordo de guerra.

Passou por 13 campos de concentração dos quais inúmeras vezes fugiu, sendo capturado posteriormente e torturado várias vezes. No pós-guerra, dedicou-se a capturar os criminosos nazistas espalhados pelo mundo. Falava que não se tratava de vingança, mas sim de justiça para com o seu povo.

Simon Wiesenthal pressionou as autoridades da Alemanha Ocidental na elaboração de um mandado de prisão para ele com o pedido de extradição. Inicialmente, a Argentina recusou o pedido, porque o fugitivo já não vivia no endereço indicado nos documentos.

Preocupado com o fato de que a publicidade levaria à descoberta de seus antecedentes nazistas e suas atividades de guerra, mudou para o Paraguai e recebeu a cidadania sob o nome de José Mengele em 1959.

Martha e o filho de Mengele preocupados, não foram para o Paraguai, pois descobriram que não estavam seguros na Argentina e poderiam ser interrogados e até torturados para revelarem o paradeiro de Mengele.

Em 11 de maio de 1960, o nazista Adolf Eichman foi raptado na Argentina e levado para Israel, causando grande embaraço à Argentina. Sob interrogatório, Eichmann forneceu o endereço de uma pensão que tinha sido usada como uma casa segura para fugitivos nazistas.

A vigilância da casa não revelou Mengele ou qualquer membro de sua família e o carteiro do bairro disse que, embora Mengele tivesse recebido recentemente cartas naquele local sob seu nome real, ele tinha se mudado e não deixou nenhum endereço de encaminhamento.

Diante do rapto e da confissão de Eichman, a Argentina autorizou a extradição de Mengele em 30 de junho de 1960, mas Mengele já havia fugido para o Paraguai, onde vivia escondido em uma fazenda.

Os parentes de Mengele, ao saberem da captura e rapto de Eichman, permaneceram escondidos em pensões e hotéis em Buenos Aires até dezembro de 1960, quando retornaram à Alemanha. Não podiam mais se reunir com Mengele e nem contatá-lo.

Apesar de ter fornecido a Mengele os documentos legais em seu verdadeiro nome em 1956, permitindo-lhe assim regularizar sua residência na Argentina, a Alemanha Ocidental, querendo redimir-se do erro, ofereceu uma recompensa pela captura de Mengele. E ele vivia sob constante tensão. Tinha pavor de ser capturado por agentes do Mossad, o serviço secreto de Israel”, como relatou o jornalista francês Olivier Guez, autor de “O Desaparecimento de Josef Mengele“.

O governo de Israel estabelecera uma recompensa de US$ 3,4 milhões, vivo ou morto. Ele era o criminoso mais procurado em todo o mundo. Mengele decidiu fugir para o Brasil. Ajudado por nazistas foragidos, ele veio parar no estado de São Paulo, aonde foi apresentado a uma família de Húngaros.

Mengele só fugiu para o Brasil porque temia ser capturado como Adolf Eichmann, sequestrado pelo Mossad em maio de 1960 na Argentina e enforcado em junho de 1962, em Israel.

Assim que chegou ao Brasil, em 1961, Mengele passou a se chamar Peter Hochbichler e foi morar em Nova Europa, a 318 km de São Paulo. Por intermédio de Wolfgang Gerhard, um simpatizante de Hitler que morava no país desde 1948, foi apresentado ao casal Geza e Gitta Stammer. Como estavam à procura de alguém para administrar sua fazenda de café, resolveram contratá-lo.

A Alemanha Ocidental, alertada para a possibilidade de que Mengele tinha se mudado para o Brasil, ampliou seu pedido de extradição incluindo o Brasil em fevereiro de 1961.

Sabendo deste mandado, Mengele resolveu fugir para outro local, tendo comprado uma fazenda em Serra Negra, município do estado de São Paulo, em sociedade com o casal húngaro. Serra Negra nessa época era uma cidade campesina e não tinha sequer asfalto. Era o lugar ideal para alguém se esconder, afirma o historiador Pedro Burini, autor de “O Anjo da Morte em Serra Negra“, de 2013.

Casa onde o médico nazista Josef Mengele morou em Serra Negra — Foto: Marcelo Felipe Sampaio

Como os Stammer eram húngaros, Mengele ficou conhecido na região como Pedro Hungarês. Ou, simplesmente, “Pedrão”.

Pedrão, o sócio de sotaque esquisito do casal húngaro Gitta e Geza Stammer, a quem Seu Eugênio, pai do então pré-adolescente Zé Osmar, fazia alguns serviços, como colher café ou consertar cercas. Com este nome aportuguesado de Pedro Hungarez, Josef Mengele, O Anjo da Morte de Auschwitz-Birkenau, considerado responsável pela morte de 400 mil pessoas na II Guerra Mundial, viveu em Serra Negra, quando conheceu o Pai de Zé Osmar.

Depoimento de Zé Osmar:

Era por volta de 1963, 1964, quando o Pedrão me viu sentado, sem forças, e perguntou ao meu pai o que eu tinha”, lembra Zé Osmar. “O meu pai respondeu que era “amarelão”, ou seja, anemia.

Pedrão então puxou-me o olho, observou e dias depois trouxe um líquido, a que juntou beterraba, e deu-me para beber. Todas as semanas puxava-me o olho para verificar progressos. E eu progredi mesmo: nem precisei tomar tudo para me sentir um touro de tão forte, em menos de um ano. Ficou famoso o tema nas redondezas: Pedrão curou Zé Osmar!

Entretanto, Mengele recebia notícias que estavam em seu encalço. Então, para mais despistar e esconder-se ainda junto com o casal húngaro em sua fuga, Mengele e os Stammers compraram uma casa no ano de 1969 em uma fazenda em Caieiras, próximo à cidade de São Paulo, tendo Mengele como sócio.

Quando seu amigo, que lhe auxiliara, Wolfgang Gerhard voltou para a Alemanha em 1971 para procurar tratamento médico para sua esposa e filho gravemente doente, entregou o seu documento de identidade, um RG, a Mengele.

O cerco estava se aproximando e os Stammers resolveram se separar de Mengele, deixando-o só no final de 1974 e mudaram para uma casa na cidade de São Paulo.

A saúde de Mengele tinha-se deteriorado firmemente desde 1972 quando teve um tumor no estomago.
Nessa ocasião, o conhecido médico de Jundiaí, Dr Fredini, foi procurado no Hospital Santa Elisa por um homem elegante de 1,75m e com dificuldade em falar o português. Se apresentou como um suíço que vivia no bairro da Figueira Branca, em Campo Limpo Paulista. Não há, no entanto, confirmação que viveu por lá.

Acredita-se que deu esse endereço para poder se tratar em Jundiaí, pois nessa época os hospitais particulares tinham convênio com o então INPS (Instituto Nacional de Previdência Social), atual SUS (Sistema Único de Saúde). Josef mengele foi operado pelo SUS no Brasil !

Era um tumor tricô-bezoir, que é formado por pelos que se alojam no estômago. No caso de Mengele isso se formou por conta de engolir fios de seu bigode que se alojaram em seu intestino.

Em 1976, teve o primeiro AVC (derrame) e em 1977, precisando de cuidados médicos, ele mudou-se para o bairro de Eldorado em São Paulo. Seu filho sabendo de seu precário estado de saúde visitou-o neste mesmo ano. Seu último esconderijo foi a residência dos Bossert, simpatizantes nazifascistas, no bairro do Brooklin, na capital paulistana.

Em Bertioga, no dia 7 de fevereiro de 1979, o cabo da PM Espedito Dias Romão já se preparava para passar o plantão e ir para casa quando atendeu a uma chamada de emergência. Do outro lado da linha, alguém avisava de um corpo na Praia da Enseada.

Ao chegar ao local, por volta das quatro da tarde, encontrou a praia deserta. Na areia, apenas o banhista morto e um casal de austríacos, Wolfram e Liselotte Bossert.

“Não havia mais nada que pudesse fazer. Ele já fora resgatado da água sem vida”, recorda Romão, hoje aposentado, aos 72 anos. “Por se tratar de um mal súbito, acredito que tenha sido fulminante. Mas, não posso garantir.”

A documentação apresentada por Wolfram identificava o cadáver como Wolfgang Gerhard, um austríaco de 54 anos. Somente em 1985, Romão veio a descobrir que Gerhard era um dos muitos pseudônimos que Josef Mengele usou para viver no anonimato, depois de fugir perante a derrota na Segunda Guerra.

O que ocorreu é que Mengele e seus amigos Wolfram e Liselotte Bossert alugaram uma casa de veraneio na cidade praiana de Bertioga, onde Mengele sofreu o segundo acidente vascular cerebral ao nadar na praia da Enseada, falecendo em decorrência.

Seus amigos conseguiram enterrá-lo na cidade de Embu das Artes sob o nome “Wolfgang Gerhard”, cujo cartão de identificação tinha usado desde 1971.

O verdadeiro Gerhard morreu em 16 de dezembro de 1978 e foi sepultado em Graz, na Áustria, sua terra natal.
E o caçador de Nazistas, nunca desistiu de encontrar Josef Mengele. Insistiu até 1985, seis anos depois da morte de Mengele, de que o nazista ainda estava vivo e em 1982 ofereceu uma recompensa de 100 mil dólares pela sua captura.

Em 31 de maio de 1985, a polícia alemã buscando outros nazistas invadiu a casa de Hans Sedlmeier, amigo de Mengele e gerente de vendas de uma empresa familiar em Günzburg. Eles encontraram um livro de endereços codificado e cópias de cartas de e para Mengele. Entre os jornais estava uma carta de Bossert notificando Sedlmeier da morte de Mengele. Em seguida, as autoridades alemãs notificaram a polícia em São Paulo, que entrou em contato com os Bosserts.

Sob interrogatório, eles revelaram a localização do túmulo de Mengele. Os restos foram exumados em 6 de junho de 1985 e um extenso exame forense confirmou com um elevado grau de probabilidade de que o corpo era mesmo de Mengele. Na ocasião, estiveram no Brasil, especialistas forenses americanos e israelenses, com extensa documentação e equipamentos.

Em seguida, Rolf Mengele emitiu uma declaração em 10 de junho admitindo que o corpo era de seu pai. Disse ainda que a notícia da morte de seu pai tinha sido mantida em sigilo para proteger as pessoas que o tinham protegido por muitos anos.

Wiesenthal jamais admitiu que a ossada pertencia a Mengele. Mesmo assim, em 1992, com o advento de técnicas modernas de testes de DNA, foi confirmada definitivamente a identidade de Mengele.

Os membros da família Mengele, inclusive seu filho Rolf, recusaram reiterados pedidos de autoridades brasileiras para repatriar os restos mortais para a Alemanha.

Os ossos estão armazenados no Instituto Médico Legal do Estado de São Paulo até hoje e são utilizados para atividades educacionais durante os cursos de medicina forense da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Esse foi o fim do “Anjo da Morte”.

Partes deste texto foram tiradas da Wikipedia, com adaptações.

 

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