
A Imperatriz Leopoldina
Carolina Josefa Leopoldina Francisca Fernanda de Habsburgo-Lorena, nasceu em 22 de janeiro de 1797, no Palácio de Schönbrunn, em Viena, Áustria e pertencia à Casa do mesmo nome, que surgiu em 1736 com o casamento de Maria Teresa da Áustria e Francisco Estêvão de Lorena. Esta união juntou a Casa de Habsburgo (Áustria) com a Casa de Lorena (França), governando o Império Austríaco e o Sacro Império Romano-Germânico até 1918.

Ela era fruto de uma das famílias mais antigas e poderosas da Europa, os Habsburgos, e eram representados pela cor “amarela” na bandeira imperial brasileira. Mesmo com Napoleão Bonaparte, seu cunhado governando a França, sua vida não foi nada tranquila. Com apenas dez anos ela perdeu a mãe, Maria Teresa de Nápoles e Sicília, e com 13, viu sua irmã mais velha, Maria Luísa, casar-se com Napoleão. Seu pai, Francisco II, casou-se com sua prima, Maria Luísa de Áustria-Este em 1806, com quem Leopoldina se entendeu muito bem e foi a responsável por sua educação.
A Casa Real Brasileira tem, entre outras origens, a Casa de Bragança de Portugal (representada pela cor “verde” na bandeira imperial brasileira) e os Orléans da França, família nobre francesa, que era parte da Casa de Bourbon, fundada em 1661 por Filipe I, Duque de Orléans, irmão de Luís XIV, o rei Sol. Sim, até na república brasileira, as cores verde e amarela foram mantidas na bandeira nacional e nada tem a ver com matas ou riquezas que aprendemos na escola. Na verdade, o significado das cores foi alterado pela república, numa tentativa de “apagar” a monarquia.
Leopoldina cresceu em meio às guerras que colocavam seu pai em risco. E nisso, Napoleão Bonaparte não ajudava. Ela era fluente em cinco idiomas e entendia que, quanto mais velha, mais obrigações e deveres teria. Precisava deixar sua infância para trás e assumir suas responsabilidades de princesa. Aos 20 anos, Leopoldina foi prometida à Pedro de Alcântara, para servir a uma aliança entre a Áustria e Portugal.

O casamento se deu por procuração, em maio de 1817 em Viena, pois nunca tinham se visto pessoalmente. Na ocasião, Pedro foi representado por Carlos, que era tio paterno de Leopoldina. D. Pedro I já era imperador do Brasil e só viu sua esposa quando ela chegou ao Rio de Janeiro, meses depois do casamento. Todos ficaram surpresos com a inteligência de Leopoldina, que também falava muito bem sobre política. A agora imperatriz Consorte do Brasil, apaixonada por botânica, assumiu o nome de Maria Leopoldina e, sempre ao lado do marido, era bastante hábil ao desempenhar as funções diplomáticas.

O casal anunciou a chegada do seu primeiro filho, Maria da Glória (1819–1853) e outros seis ainda viriam, incluindo D. Pedro II, o herdeiro do trono brasileiro! Ao todo, Leopoldina engravidou nove vezes e abortou duas.
Ela deveria ter uma vida cheia de regalias e confortos que a monarquia poderia lhe dar. Só que Maria Leopoldina teve pouco acesso à essa glamorosa vida de princesa. Ao contrário, ela passou por momentos de angústia e sofrimento: era apaixonada por D. Pedro I e já vivia bastante amargurada mesmo antes de notar que seu marido não tinha o menor intenção em manter as aparências. Ela sempre foi fiel e ele, extremamente agressivo e impaciente, era um grande traidor do matrimônio. Sempre saía em busca de novas amantes e concedeu à mais conhecida delas, Domitila de Castro, o título de “Marquesa de Santos”, o que irritou ainda mais a José Bonifácio.

Humilhada, ela ainda foi obrigada a conviver ao lado da amante do marido e de sua filha bastarda, Isabel Maria de Alcântara (1824-1898), a quem foi conferido o título de Duquesa de Goiás. Isso, entre outras coisas, fez com que ela ficasse ainda mais deprimida e solitária a ponto de descrever todas as suas angústias em cartas enviadas à sua irmã, Maria Luísa da Áustria.
Maria Leopoldina do Brasil faleceu, após sofrer um aborto, aos 29 anos, em 1826. A exumação do corpo de Leopoldina, feita em 2012, revelou que ela foi enterrada com uma roupa bordada em fios de ouro e prata que parece ser a mesma roupa da sua coroação em 1822. Também revelou que seu fêmur não havia sido fraturado, o que desmente a versão de que ela abortou depois de ter sido jogada de uma escada por D. Pedro I, causando essa fratura.
Curiosidades sobre Maria Leopoldina que você talvez não saiba !
– José Bonifácio de Andrada e Silva é o “Patrono da Independência” e Leopoldina era frequentemente chamada de “Mãe da Independência”. Sua participação foi crucial para a formação do Estado nacional e foi ela quem assinou o decreto de Independência do Brasil, como chefe de Estado interina em 2 de setembro de 1822, levando D. Pedro I a proclamá-la. A tela “Sessão do Conselho de Estado”, de Georgina de Albuquerque, de 1922, mostra essa sessão com os irmãos Andrada e demais ministros de estado, em 2 de setembro de 1822.

– Era amante da natureza e coletava plantas e minerais. Trouxe cientistas austríacos e foi fundamental para o estudo da fauna e flora brasileira.
– Era fluente em vários idiomas. Foi educada rigorosamente na corte austríaca e falava alemão, francês, italiano, inglês e português.
– Ela era cunhada de Napoleão Bonaparte. Maria Luísa, sua irmã mais velha, casou-se com ele e isso fazia D. Pedro II ser sobrinho de Napoleão.
– Teve sete filhos com D. Pedro I, incluindo o futuro imperador D. Pedro II, do Brasil, e Maria da Glória, que reinou em Portugal como Maria II.
– Diz-se, mas jamais comprovado, que o segundo aborto teria sido provocado por agressões de D. Pedro I, ocasionando sua morte.
– Não era uma esposa fragilizada e, sim, carismática. E sofreu bastante com Domitila.
– Era arquiduquesa da Áustria e membro da tradicional família Habsburgo-Lorena.
– No dia 6 de setembro de 2021, a bandeira imperial do Brasil foi hasteada na sede do Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, como forma de homenagear os 200 anos da independência, o que não foi muito bem visto pela maioria dos desembargadores.
– Muita gente afirma erroneamente que a Casa Real Brasileira não é comparável com as Casas europeias. Um pouco de leitura faz bem.
Texto de Renzo Grosso
