A Questão da Censura – De Novo

O STF conseguiu novamente o protagonismo que tanto gosta e aprova. O Ministro Dias Toffoli derrubou a liminar que exigia a retirada do especial de Natal que tratava de Jesus como homossexual. Nessa mesma decisão, ele aplaude a questão do direito de manifestação e contra a censura. Toffoli considerou que “não é de se supor que uma sátira humorística tenha o condão de abalar valores da fé cristã, cuja existência retrocede há mais de 2 mil anos, estando insculpida na crença da maioria dos cidadãos brasileiros”.

A Netflix, por meio de seus advogados disse que “tal ingerência judicial sobre o conteúdo cinematográfico equivale, ainda, a verdadeira censura ampla e geral.”. Toffoli concordou.

Não é a primeira vez que o país trata de censura à arte. Os cineastas comemoraram a decisão de Toffoli afirmando que esse tipo de censura à arte não pode acontecer. O cineasta bolsonarista Josias Teófilo condenou a determinação da Justiça do Rio de Janeiro em, liminarmente, retirar da grade o especial de Natal do Porta dos Fundos. “É uma vergonha. Estamos vivendo em uma época terrível, em que toda semana tentam censurar uma obra de arte no Brasil”, afirmou. Mas tem aquele caso de 2017, lá em Pernambuco…

Festival de PE contra filmes de direita

Em 2017, sete cineastas deixaram o Festival Cine PE por discordarem da permissão para que determinados filmes “de direita” pudessem ser exibidos no Festival. Quer dizer, censura só vale quando é contra as peças que eles produzem. Eles se referiam à inclusão de “O Jardim das Aflições” e de “Real – O Plano por Trás da História” na programação. Veja a reportagem da Folha de São Paulo aqui.

O cineasta Josias Teófilo, produtor de “O Jardim das Afllições” comentou a questão. Segundo ele, há uma “proibição tácita de se fazer um filme sobre Olavo de Carvalho …(sic)… A coisa vinha na surdina. Agora fica evidente: existe censura ideológica no cinema brasileiro … (sic) … Como ficou claro no manifesto que eles fizeram, não pode existir debate com um conservador – o debate só pode se dar entre esquerdistas.” Os responsáveis pelo Festival, claro, não comentaram.

Há algum tempo atrás, um advogado, utilizando seu direito e liberdade de expressão, disse para um ministro do STF que ele sentia vergonha do órgão. Foi processado.

Imaginem só um especial tratando dos ministros do STF da mesma maneira que esse tal especial de Natal. E não falta material para isso. Com certeza seriam todos presos, sem direto à “liberdade de expressão”.

A liberdade de expressão é um direito de todos, mas não significa que você tem o direito de desrespeitar alguém. Ela tem limites. A liberdade acaba quando ofensa começa.

 

Anúncios

Deixe uma resposta