Quando o Dorminhoco Acorda

Numa reunião do Comitê Olímpico Internacional na Turquia, pouco antes da Copa do Mundo no Brasil em 2014, alguém perguntou como estavam os preparativos para a Rio-2016.   A resposta “padrão Brasil” foi que “no fim tudo dará certo”. Ao ouvir essa blasfêmia, um dirigente do COI rebateu irritado: “Eu não quero que dê certo no fim. Eu quero que dê certo agora! “. Isso resume tudo.

A preparação para a Copa do Mundo preocupou a FIFA e os brasileiros com um mínimo de responsabilidade.  O Brasil sabia que iria sediar a Copa desde 2006, o que foi referendado pela FIFA em outubro de 2007.   Seriam sete anos de preparação, tempo mais que suficiente para qualquer economia do mundo, mas os trabalhos só começaram mesmo em 2010 – e olhe lá !

Manifestações contra a Copa – com direito a todo o tipo de idiota gritando palavras de ordem contra a FIFA, atrasos, problemas, obras prometidas que não foram e nem serão entregues…  Mas as coisas aconteceram melhor até do que o esperado.  Pelo menos, o vexame do Brasil se deu dentro de campo.

Em outubro de 2009, o Rio foi escolhido para sediar os Jogos Olímpicos de 2016.  Mais sete anos para preparar tudo.

Para a Olimíada a história não foi, ou não está sendo, diferente.  Cronograma (muito) atrasado, preocupações do COI, plano B…  A mesma história da Copa.

O jargão favorito dos governantes brasileiros é que este é o país do amanhã.  E já se fala isso há muito tempo, provavelmente porque o brasileiro costuma deixar tudo para depois.  Nada é planejado, nada é entregue no prazo e muito menos realizado dentro do orçamento.

A burocracia atrasa o país, a corrupção restringe as realizações e o ralo vai escoando as esperanças deste país do futuro.   É o mesmo país que prefere o jeitinho, onde se acredita que tudo vai dar certo no final, ao invés de aplicar na força da eficiência.

O Brasil do presidente Lula tinha um lema: “Sou brasileiro, não desisto nunca !”. Mas deveria ser: “Sou brasileiro, não deixo nada para amanhã”.

Ou “Um país rico é um país eficiente”.

NT: “When Sleeper Awakes” (Quando o Dorminhoco Acorda), 1899, é um romance de H.G. Wells

 

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