
O Maior Dos Erros
A morfina deriva do ópio, enquanto a heroína deriva da morfina. Em 1874, alguns químicos britânicos adicionaram ácido acético glacial à morfina e sintetizaram um pó cristalino branco, cujo nome científico era diacetilmorfina. Em 1897, um farmacêutico chamado Felix Hoffmann da Bayer na Alemanha, sintetizou novamente a diacetilmorfina e a empresa ficou entusiasmada com seus super efeitos antitussígenos (são medicamentos que bloqueiam o reflexo da tosse, indicados para tosse seca e irritativa, não produtiva) e analgésicos. Em 1898 a Bayer & Co a lançou com orgulho e lhe deu o magnífico nome de “heroína”.

A empresa embalava e vendia o medicamento em frascos como esse da foto. O vidro âmbar e o rótulo colorido apresentavam o produto recém-comercializado, a “Heroína”, aos clientes como um tratamento eficaz e seguro. Embora mais forte e mais barata que a morfina, a heroína também é mais viciante. Na verdade, o composto da droga foi descoberto por um inglês em 1875 e passaram-se 20 anos até que Felix Hoffmann o sintetizasse em heroína. Hoffmann também criou a aspirina, um medicamento revolucionário e que ainda é amplamente utilizado hoje em dia.
Inicialmente, a heroína era utilizada apenas como o medicamento para a tosse, mas logo sua aplicação se estendeu também à dor, à depressão, à bronquite, à asma e a outras doenças, e até mesmo às áreas psiquiátricas, tornando-a um medicamento absolutamente milagroso. Dos doentes às pessoas saudáveis, dos recém-nascidos aos adultos e idosos, todos se tornaram consumidores de heroína. Um dos usos da heroína, pasme, é o tratamento da dependência de morfina. A heroína foi vendida em mais de 20 países. Um sucesso !

Só que a dependência de heroína não foi levada a sério e, na verdade, não houve uma dependência em larga escala entre os consumidores de heroína. Isso se devia principalmente ao fato de que a heroína era ingerida por via oral, o que levava mais tempo para chegar ao cérebro, e a dosagem era muito mais baixa em comparação com a dos dependentes posteriores. Quando a heroína se espalhou pelo mundo, surgiram métodos de inalação e injeção que podiam causar uma grave dependência. Dessa forma, a Bayer liberou um demônio no mundo, provocando uma catástrofe e inúmeras tragédias humanas que continuam até hoje.

Hoje em dia se fala muito sobre o poder curativo de uma outra substância: o Canabidiol (CBD) e o Delta-9-tetrahidrocanabinol (THC). Da mesma forma que a morfina, esses produtos vêm de drogas recreativas alucinógenas e que também causa dependência: a popular maconha.
Tem muita gente que confunde o canabidiol com maconha, mas se esquece que a morfina vem do ópio, que é a base da heroína, e largamente usada no mundo todo. E não são pessoas quaisquer: há algum tempo, um jornalista inconformado com a fraude numa concorrência cometida por uma determinada loja, dizia jocosamente que não compreendia como uma “loja que vende maconha” poderia fornecer um outro produto (não lembro o quê) para o governo federal.

Nenhuma “loja” vende maconha. O que ela pode vender é o canabidiol para fins terapêuticos. E isso é permitido, entre idas e vindas, pela Anvisa que tem até permitido o cultivo da planta para fins medicinais.
É o cúmulo da falta de informação. E ainda vindo de um jornalista bastante conhecido.
Texto de Renzo Grosso
