Internet Morta

Cotidiano

 

Apenas uma conspiração ou uma realidade bem próxima ?

A Inteligência Artificial (IA) vem crescendo rapidamente, o que vem gerando várias questões sobre se o que está sendo criado é humano ou não, entre outras coisas.

Alan Turing

Anos atrás, mais precisamente na década de 1950, um britânico chamado Alan Turing, reconhecido até hoje como o “pai” da computação teórica e da IA, desenvolveu uma tese que ele chamou de “Jogo da Imitação”. Esse “jogo” consistia em fazer a mesma pergunta a um humano e a uma máquina e, pelas respostas de cada um, determinar quem é o verdadeiro humano. Levemos em conta que as respostas eram produzidas por impressoras e não por voz, que poderia até ser facilmente identificada naquela época.

Hoje em dia, essas discussões ganharam força. A internet está tão contaminada que já se sugere que ela nada mais é do que um local dominado por robôs de IA. Então chegamos à triste conclusão de que a Internet está morta ou, mais precisamente, a “Teoria da Internet Morta”.

Segundo isso, o que vemos todos os dias pode não ter sido produzido por pessoas, mas por entidades de IA. Veja que, recentemente, um professor norte-americano colocou uma “pegadinha” num dever de casa e reprovou quase todos os alunos da sala que, comprovadamente, usaram IA para fazer a lição.

A “jogada” foi bem simples: No texto do enunciado, ele escondeu a palavra MADAGASCAR escrita em letras brancas com fundo branco, o que impedia um aluno comum de enxergá-la, mas não impedia a IA de “ler” esse texto e exigia também que esse termo fosse colocado como parte da tarefa. O que se seguiu foram vários absurdos, frases sem sentido e a comprovação do uso de IA (veja aqui).

A tal “Teoria da Internet Morta” surgiu na própria Internet, não passa de uma mera teoria conspiratória e não é uma análise séria sobre uso de robôs ou bots de IA.   Milhares de bots circulam pelas redes sociais, e não só nelas, todos os dias. Vários exemplos disso são os inúmeros “likes” ou acessos que se fazem passar por pessoas reais. Segundo essa “teoria”, a internet está sendo gerida por bots, onde textos, vídeos ou imagens são manipuladas por IA.

Desde 2016 ou 2017, as postagens entre pessoas reais foram bastante reduzidas, levando esses perfis a falsos engajamentos e os conteúdos gerados por algoritmos. Ainda citam as mega-empresas de tecnologia como o Google que filtram o conteúdo “real”, por imposição dos próprios governos, para doutrinar a opinião pública.

Isso tudo surgiu em 2010, mas ganhou força em 2021, quando um post anônimo no fórum Macintosh Cafe, de um certo usuário “IlluminatiPirate”, descreveu essa teoria com o nome “Dead Internet Theory: Most of The Internet Is Fake”, traduzido como “Teoria da Internet Morta: A maior parte da internet é falsa”. Essa teoria afirma que a internet “morreu” em 2016, quando a maior parte do conteúdo estava sendo gerada por bots.

Esses bots fazem parte da internet há muito anos, inclusive maliciosos. Um relatório chamado “Imperva Bad Bot Report” de 2024, diz que boa parte do tráfego era originado com bots e muitos eram maliciosos ou perigosos. Outros também afirmam que os bots representam entre 40% a 50% do tráfego. Os bots não-maliciosos, por exemplo, são largamente usados pelos mecanismos de busca, enquanto que os maliciosos podem ser usados para “roubar” senhas de bancos, spam, fornecer informações falsas e muitas outras coisas.

Com isso tudo, vieram também as “click farms” ou “fazendas de cliques”, que combinam pessoas reais com IA para gerar curtidas, visitas, seguidores, etc…

Um caso recente da Internet morta foi a plataforma Moltbook que se apresentava como “rede social para IAs autônomas”. Eles diziam ter bots de IA com capacidade de conversar sobre religião, liberdade de expressão, independência e mais. Só que não era bem assim. Experts em segurança digital comprovaram que muito disso vinha de interações humanas que se passavam por robôs.

Um estudo da Stanford University, Imperial College London e Internet Archive afirma que 35,3% dos novos sites que surgiram em 2025 eram produzidos com inteligência artificial. Esse número era ínfimo até 2022.

Stanford University

Abaixo, um exemplo de sites em que o conteúdo pode ser gerado por IA:

Blogs, notícias e memes;
Posts em redes sociais, legendas, comentários e conteúdos de marketing;
Imagens, ilustrações, artes digitais e peças gráficas;
Vídeos, áudios, dublagens e até deepfakes;
Chatbots de atendimento, assistentes virtuais e trechos de código;

Não há nada, ate agora, que confirme que a internet “morreu”, mas existem estudos sérios que admitem que a rede está se transformando e os conteúdos e posts produzidos por humanos já se valem de ferramentas de IA. Apesar de tudo isso, não há evidências concretas de que alguma entidade possa substituir os humanos. Por isso, a Teoria da Internet Morta é tida como conspiração. Até agora.

Em tempo:

A OpenAI (uma das gigantes da Inteligência Artificial) já noticiou que modelos de IA escaparam de ambientes isolados de teste e atingiram outros sistemas.   Esse tipo de atitude, levou a maioria dos países a defederem que a IA deve ser desenvolvida com regras claras e controles muito maiores.  Se isso não acontecer, o mundo poderá estar à beira de uma catástrofe em breve.

Texto de Renzo Grosso

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