
A loira de Dubai – Agente do Mossad
Esta é uma história REAL e não apenas uma adaptação hollywoodiana, apesar do filme cômico que fizeram sobre esta história.

Em janeiro de 2010, uma mulher embarcou em um voo da Air France em Paris com destino a Dubai. Já no aeroporto, o controle de imigração dos Emirados Árabes Unidos a identificou como Gail Folliard, de 23 anos, usando um passaporte irlandês (que, depois, descobriram que era falso). Ela ficou hospedada no Al Bustan Rotana, um dos melhores hotéis da cidade

A mulher, que ficaria conhecida como a Loira de Dubai era, na verdade, uma espiã do Mossad. Ninguém suspeitou dela que fazia parte de uma operação para matar Mahmoud al-Mabhouh, naque ocasião, o maior traficante de armas do Oriente Médio.
Al-Mabhouh foi um dos responsáveis pela fundação das Brigadas Izz ad-Din al-Qassam, do Hamas. Ele era o chefe de logística e também adquiria as armas para a organização. Al-Mabhouh se envolveu no sequestro e na morte de dois soldados israelenses em 1989 e acabou se estabelecendo na Síria, onde coordenava a venda e transporte de armas e mísseis do Irã para a Faixa de Gaza.
Ele estava em Dubai para tratar de mísseis iranianos para o Hamas e se hospedou no mesmo hotel. A loira ficava atenta a todas as suas movimentações quando, por volta das 20:30, ela foi ao quarto dele provocando-o provavelmente com alguma insinuação sexual.

Assim que ele abriu a porta, dois agentes do Mossad entraram e o mataram. Os funcionários do hotel o encontraram na cama apenas no dia seguinte e o médico de plantão disse que ele havia sofrido um ataque cardíaco. Na verdade os exames clínicos encontraram uma grande quantidade de relaxante muscular no sangue dele.
A polícia de Dubai concluiu que o Mossad injetou uma droga na coxa do homem árabe para ele não reagir ao ataque e, em seguida, ele foi sufocado com travesseiros com a intenção de parecer morte natural. E, como sempre, o Estado de Israel não esclareceu muita coisa: jamais afirmaram ou negaram que o Mossad fosse responsável pela morte do árabe.

O caso gerou numa grande crise diplomática com a expulsão de diplomatas israelenses pelos países envolvidos nessa missão, especialmente aqueles países que tiveram passaportes fraudados.
Sobre essa história, israelenses e franceses ainda produziram o filme Kidon, dirigido por Emmanuel Naccache e com a atriz Bar Rafaeli interpretando a loira que, apesar da seriedade do tema, é uma comédia. E Kidon é uma unidade secreta do Mossad.

A família de Al-Mabhouh não ficou nada satisfeita com o filme porque o ator que interpreta al-Mabhouh bebe álcool e cai na conversa sedutora de Bar Refaeli (israelense). O filme foi proibido em alguns países por conta da produção semita, da atriz idem e da história em si. A família de Mabhouh ainda ameaçou um processo para que o filme não fosse distribuído com o argumento que ele manchava o comandante do Hamas.
Não há dúvidas de que o serviço secreto Mossad continua ativo. E bem ativo !
Texto de Renzo Grosso
