
O Mundo Por Um Fio
Esqueça a Operação Anadyr ou a Crise dos Mísseis de Cuba, como era mais conhecida em 1962, e veja se você sabia que o mundo ficou por um fio no dia 26 de setembro de 1983! Literalmente!
E devemos isso a esse homem na foto. Stanislav Petrov, tenente-coronel do Exército da antiga União Soviética, que salvou o mundo da destruição em 1983. Uma história que só veio a público muitos anos depois!

Aos 44 anos, o tenente-coronel Petrov era o oficial do dia no bunker Serpukhov-15, nos arredores de Moscou. Sua responsabilidade era identificar um eventual ataque nuclear dos EUA contra a URSS. Coisas básicas da Guerra Fria. Em caso de ataque, Petrov notificaria seus superiores e estes lançariam um contra-ataque com centenas de mísseis nucleares contra os EUA. Era a determinação.
Tudo corria bem até que, após a meia-noite, os computadores indicaram que os EUA tinham lançado um míssil que estava voando a 24.000 km/h em direção à URSS. Seriam 13 minutos até o alvo, mas o feeling de Petrov dizia que era um erro, pois se os norte-americanos fossem atacar, não lançariam apenas um míssil. Então, decidiu aguardar, supondo ser um erro do sistema.
Nos cinco minutos seguintes, soaram mais quatro alarmes, indicando que os EUA tinham lançado outros quatro mísseis. Na tela do monitor, piscava em vermelho a palavra NATINATS (iniciar), para o contra-ataque soviético. O clima de tensão tomou conta da sala e todos olhavam para Petrov, esperando sua reação. Ele tinha 8 minutos para decidir o destino da humanidade. Se comunicasse aos seus superiores, poderia significar uma guerra que poderia levar à Terceira Guerra Mundial. Os computadores indicavam o ataque, os satélites não mostravam nada e os radares terrestres só conseguiriam detectar os mísseis quando já estivessem visíveis.

Então, confiando apenas em sua intuição, Petrov nada fez a não ser aguardar. Quando os radares terrestres não confirmaram o ataque e nenhuma explosão ocorreu, foi um alívio. E o mais incrível: Petrov não deveria estar ali naquele dia, pois cobriu a ausência de outro oficial.
Os alertas do computador soviético mais tarde se revelaram errados e Petrov ficou conhecido como a pessoa que evitou a Terceira Guerra Mundial e a devastação de boa parte da Terra por armas nucleares. Por causa do sigilo militar e de diferenças políticas e internacionais, os atos de Petrov foram mantidos em segredo até 1998.
O que se sabe agora é que, apesar de ter prevenido um potencial desastre nuclear, Petrov desobedecera ordens e desafiara o protocolo militar. Mais tarde, ele sofreu intenso questionamento pelos seus superiores sobre a sua atitude durante a prova de fogo, o resultado disso foi que ele não mais foi considerado um oficial militar confiável.

O exército Soviético não puniu Petrov pelas suas ações, mas não reconheceu ou honrou-o também. Suas ações haviam revelado imperfeições no sistema militar soviético, o que deixou seus superiores em maus lençóis.
Mesmo evitando um conflito mundial, o governo soviético alegou que Petrov não documentou suas ações de maneira satisfatória e lhe deu uma reprimenda. Em 1984, ele deixou o serviço militar e conseguiu um emprego no instituto de pesquisa que desenvolveu o sistema de alerta de mísseis da União Soviética. Aposentou-se anos depois quando sua esposa foi diagnosticada com câncer para poder cuidar dela, mas ela veio a falecer em 1997. A BBC noticiou que Petrov sofreu um colapso físico e mental em 1998, em que ele teria declarado que foi usado como bode expiatório.

Uma associação californiana agraciou o Coronel Petrov com o prêmio World Citizen Award, junto com um troféu e US$ 1 000,00 em reconhecimento ao papel exercido ao evitar a catástrofe
Stanislav Petrov morreu em Fryazino, no dia 19 de maio de 2017 devido à uma pneumonia.
Texto de Renzo Grosso, adaptado de várias publicações.
