Macau E O Domínio Português

Política

Macau pertencia à China, mas foram os portugueses que se estabeleceram de forma provisória entre os anos 1553 e 1554.   Em 1557, as autoridades chinesas autorizaram os portugueses a se estabelecerem na ilha com um certo nível de governo autônomo. Só que isso não foi de graça: os portugueses pagavam um tipo de aluguel anual e impostos ao governo/autoridades chinesas que diziam, com razão, que a ilha continuava a ser parte do Império Chinês.

Em 1583, foi criado o Leal Senado (a foto abaixo mostra o Largo do Senado nos dias atuais) pelos moradores portugueses, mais precisamente pelos comerciantes de Macau. Este organismo político, considerado como a primeira câmara municipal de Macau, foi fundada com o objetivo de proteger o comércio controlado pela ilha, de estabelecer a ordem e a segurança nesta cidade e de resolver os problemas quotidianos. A partir de 1623 Macau passou a ter um governo português através do Leal Senado, até à primeira metade do século XIX e continuou a manter uma grande autonomia e a exercer um papel fundamental na administração da cidade.

Em 1844, através de um decreto real, Macau entrou na estrutura administrativa ultramarina portuguesa. Porém, este ato não foi reconhecido pela China.

A história é longa… Em 1966 ocorreu um levante popular em Macau, chamado de “Motim 1-2-3“, tomado por chineses pró-comunistas descontentes e influenciados pela Revolução Cultural de Mao.

Este motim obrigou Portugal a repensar na ocupação e no controle dos chineses sobre a ilha.

Anos mais tarde, como uma das consequências da Revolução dos Cravos, em 1974, Portugal deu fim às guerras coloniais, o que permitiu o reconhecimento da independência das colônias portuguesas na África.  Macau não estava na África, mas acabou entrando nas negociações.  Só que a China não aceitou a “devolução”, por entender que Portugal havia ocupado ilegalmente a ilha, e fez com que se cumprisse um período de “adaptação” na população local que durou 25 anos.

Resta que, em 1999, querendo ou não, a ilha foi formalmente devolvida para a China e passou a ser chamada de “Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China” (RAEM).

Apesar do idioma Português ser falado em praticamente toda a ilha, Macau não faz parte da CPLP (Conselho dos Países de Língua Portuguesa) porque os portugueses ocuparam a ilha por cerca de 400 anos e isso nunca foi aceito pelos chineses. Com a devolução (ou fim da ocupação portuguesa) em 1999, a ilha voltou à posse chinesa e à sua própria cultura.

Não seja como a repórter Glória Maria, da Globo, que recentemente, ao fazer uma reportagem em Macau, ficou maravilhada ao encontrar um alfaiate que falava português, proprietário de uma loja cujo letreiro também estava escrito em português.   Foram cerca de 400 anos de ocupação portuguesa, mas a ilha sempre pertenceu à China e o idioma oficial sempre foi o cantonês, apesar de definirem também o Português e o Chinês (simplificado) como idiomas oficiais.

Hoje em dia, Macau é o único lugar no país onde o jogo é legal. Desde 2002, a sua indústria de cassinos vem crescendo e alcançou US$ 45 bilhões em movimentações, cerca de sete vezes maior do que Las Vegas.

Durante várias décadas, a criminalidade violenta era um risco sério para o turismo, pois a cidade não conseguia controlar o crime organizado.   Esses grupos, designados localmente de “Tríades” ou “Seitas“, são as antigas organizações político-revolucionárias, que existiam desde a Dinastia Qing.   Com o passar do tempo, essas mesmas organizações foram perdendo a sua identidade e hoje em dia são mais conhecidas como sociedades secretas ou, em chinês, “Hák Sé Wui“.

Após a transferência de soberania, o novo Governo da Região Administrativa Especial de Macau, apoiado pelo Governo Central da República Popular da China, combateu com êxito o crime organizado.

Só que a criminalidade voltou nos últimos anos, mas não com a mesma força e nem com a mesma violência.  Macau ainda pode ser considerado um lugar seguro para o turista, mas o abismo social cresce a cada dia.   Em 2006, o Coeficiente de Gini (que mede essas diferenças), ficou em 0.48 (o índice vai até 1 e, quanto maior, maior a desigualdade).

A história é longa e vale a pena ler e pesquisar um pouco mais os detalhes.

 

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