Crime Premeditado – Petrobrás

A princípio, é tudo verdade.  Até a defesa dos empresários reclusos que atestam a extorsão por parte dos funcionários da Petrobrás envolvidos na falcatrua.   Esses diretores ou políticos de fato exigem o pagamento de comissões (propinas, em português claro) para fazer com que o processo licitatório transcorra sem problemas.

Essa “assessoria” continua no decorrer dos contratos com o objetivo de facilitar os serviços e angariar fundos, seja para proveito próprio, seja para o partidão.   Vale lembrar que essas benesses não são privilégios exclusivos de uns poucos favorecidos.

Segundo dizem, isto tudo vale para qualquer tipo de contratação: publicidade, transporte, obras, reparos e, vai ver, até quem fornece o cafézinho.   Tente não pagar para assinar o contrato.  É bem possível que ele não seja assinado.  Se for, então esse é apenas o início de uma série de adversidades que a empresa vai passar.  E, se não pagar os “dízimos” mensais, os obstáculos continuarão como multas, retenção de pagamentos, reprovação de serviços ou produtos e tudo o mais que puder ser prejudicial.  Até a empresa entrar no esquema ou pedir para sair.

Como já foi dito, é tudo verdade, mas, por paradoxal que pareça, não é bem assim.

Isso porque o empresário ou fornecedor já sabe de tudo isso só de pensar em participar do certame.  Nesse momento ele já tem ciência desses “compromissos” e, veladamente, acata essas diretrizes.

Ao culpar os diretores da Petrobrás por exigir pagamentos, a defesa tenta passar a boa fé de seus clientes mostrando que foram, de certa forma, passivos contra a força da estatal.

O que a defesa não diz é que seus clientes sabiam disso e concordaram.  O crime está claro e também a premeditação.

NE – “Crime Premeditado” é um conto de Anton Tchekhov

 

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