A Maçonaria E O Escândalo Do Banco Ambrosiano – Parte 1

Política

Pouca gente sabe, ou lembra, que a Maçonaria esteve envolvida em um grande esquema internacional de lavagem de dinheiro, tráfico de armas e de drogas, junto com o Banco do Vaticano e o governo dos Estados Unidos.

O escândalo, que ficou conhecido como “Irã-Contras” envolvia o financiamento de grupos armados na Nicarágua para tentar derrubar o recém-estabelecido governo Sandinista, que havia destronado Anastácio Somoza, ditador apoiado pelos Estados Unidos. Envolvia também a tentativa de libertar reféns norte-americanos feitos pelo governo do aiatolá Khomeini no Irã, que recentemente havia destronado o Xá Reza Pahlevi, também apoiado pelos EUA.

           

Apesar de ter iniciado a chamada “Guerra contra as drogas”, o governo CONSERVADOR de Ronald Reagan estabeleceu, através da CIA, parcerias com grupos de contrabandistas de drogas da América Central e América do Sul, que ajudavam a levar armas para os somozistas, também conhecidos como “contras”, e eram ajudados pela CIA a ampliar sua rede de distribuição de drogas.

Como o dinheiro para essas armas não podia sair do orçamento oficial do governo dos EUA, dinheiro estadunidense era passado para os grupos de traficantes, oficialmente como ajuda humanitária, enquanto o dinheiro sujo das drogas era usado para financiar as armas dos “contras” (guerrilheiros de direita) e o resgate dos reféns no Irã.

Quem fazia a lavagem do dinheiro era o Banco Ambrosiano, mais conhecido como BANCO DO VATICANO. E todo o esquema era organizado com a ajuda de uma loja maçônica italiana, a Loja P2 (Propaganda Due), dirigida pelo Grão Mestre Maçon Pio Gelli, que também esteve envolvida em outros incidentes políticos.

Com a morte do Papa Paulo VI, foi eleito Papa Albino Lucianni, sob o nome de João Paulo I. Esse papa disse, em sua posse, que usaria todo o seu poder para investigar as relações entre a Maçonaria, o Banco do Vaticano e o Escândalo “Irã-Contras”.

Todo esse escândalo envolveu o nome do Arcebispo Paul Marcinkus, que era o presidente do Banco do Vaticano.

Trinta e três dias depois o Papa João Paulo I estava morto, tendo sido eleito em seu lugar o anti-comunista João Paulo II, apoiado pelos EUA. Este Papa, hoje santo para os católicos, encerrou as investigações iniciadas pelo seu antecessor, porque era favorável à derrubada do governo Sandinista na Nicarágua, que era considerado de inspiração comunista.

O fato é que João Paulo II, assim como seu sucessor, Bento XVI, foram vistos em público usando apertos de mão típicos da Maçonaria em diversas ocasiões, como nessa foto.

A Loja Propaganda Due foi extinta em 1981. Alguns de seus membros, que eram ligados ao Banco do Vaticano, foram encontrados mortos, como Roberto Calvi, que era chamado de “O Banqueiro de Deus“.

 

Melhor dizendo:

O caso do financiamento irregular de ações no exterior pela CIA começa no caso do Irã e vai acabar com o caso dos Contras. A coisa se desenrola sob como uma só “operação dinheiro”.

O Congresso bloqueou a ajuda oficial aos Contras em 1984, mas já havia ajuda antes.   Os desvios de verbas da CIA para ajudar os Contras e derrotar os Sandinistas eram ainda mais antigas. Antes mesmo da vitória destes.

O escândalo da Loja P2, como era conhecida a Propaganda Due, foi a origem das investigações que acabaram por expor esses casos. Não é incomum que investigações assim durem anos e só cheguem ao conhecimento do público bem depois de iniciadas.

Esse escândalo passou da administração Carter para a Reagan. Carter, só para lembrar, não foi reeleito. E uma das razões foi a concepção geral de que ele não havia sido “forte o suficiente” durante a crise no Irã.

E ainda tem a parte 2 (em breve).

 

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